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aprender a desenhar

Cada um tem o seu. Hobby. Passatempo. Entretenimento. Escape. Mecanismo de coping, como dizem os especialistas (não é, Inês?).
Escrever, dançar, deitar cartas, fazer zapping no sofá, fazer desporto, comer, beber minis e contar arrotos, passear o(s) cão(es), treinar o papagaio, pintar as unhas, fazer sudoku, ir ao centro comercial passear, fazer ponto-cruz, telefonar aos amigos (ou a desconhecidos) e por aí fora. Eu escolhi desenhar.

Passei onze anos ininterruptos da minha vida escolar com disciplinas vocacionadas para as artes plásticas. Mais uns quantos afastada disto tudo. Apesar disso posso dizer que sou especialista da coisa, não em desenhos (não estou a ser sarcástica, basta ver o post anterior, há gente que é mesmo entendida na matéria), mas em formação na área.
Em onze anos ouvi, vi e li muita coisa. E posso com alguma segurança afirmar que ninguém nos ensina a desenhar. Mas podemos ter boas orientações, muito boas orientações mesmo.

Há a(s) técnica(s), a anatomia, a noção de espaço, a perspectiva, a luz e por aí adiante. E há a nossa imaginação, que costuma ser o grande problema, porque nos limitamos muito mais do que devíamos, sabe-se lá bem porquê.

Posso também afirmar que neste tempo todo só encontrei um manual que vale mesmo a pena. Mesmo mesmo. Mesmo. É um diamante de altíssimo valor que se vende ao preço de pechisbeque. É este manual do Quentin Blake e de um outro tipo chamado John Cassidy.

O Quentin Blake é um herói meu. Muito antes do Tim Burton ter trazido para a ribalta um tal de Charlie que ganhou um bilhete para a fábrica do chocolate, já eu devorava o remédio mágico do George, igualmente do Roald Dahl. Este último senhor é um extraordinário escritor, com um sentido de humor refinadíssimo e com uma imaginação livre livre. E o Quentin Blake trabalhou com ele durante 15 anos, em vários livros, sobretudo para miúdos (os contos para adultos do Dahl são também do melhor que há).

Voltando ao manual, o que esta dupla Blake/Cassidy nos propõe é um método infalível, com garantia de sucesso a 100%. E podem ter a certeza que têm razão. Como qualquer manual que se preze tem exercícios, mas bem diferentes dos enfadonhos livros para desenho tipo fotográfico. Aqui lançam o desafio de desenharmos baldes escondidos pelo nevoeiro londrino, um balde com uma crise de nervos, um balde que tenha pertencido a Luis XIV, um balde que tenha sofrido uma grande queda, etc. É brutal e é tudo o que tenho a dizer.

Acrescento ainda que tanto dá para profissionais como para leigos, para adultos como para crianças. Condição sine qua non – ter uma boa dose de humor (os editores falam dele como um livro para crianças ou para nabos que não sabem com que ponta de um lápis se desenha, mas eu considero-o um must, o que me faz ponderar em qual das duas categorias me encontro…).

O Natal está à porta. Se se lembrarem de alguém que goste de desenhar, ofereçam esta jóia. Sucesso garantido. Vão por mim.

ps – também há esta versão em francês

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