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le poids des apparences II

Volto à carga

Quais as diferenças entre as duas imagens?

Os dois estão vestidos da mesma forma, mas são em tudo diferentes.

O 1º tem um ar bruto, não violento, mas de bruto, simplório. Sobrancelha grossa, olhos pequenos e afastados, orelhas grandes e de abano, nariz grosso, dentadura espaçada. E é gordo.

O 2º tem ar fino, não de espessura ou grossura, mas de fino, sofisticado. Olhar vivo, nariz pequeno, sorriso aberto e boa dentadura, orelhas não salientes. E é magro.

Isto é só a análise de um desenho. As característica faciais estão exageradas e simplificadas, mas a leitura que se faz de imediato com um desenho (fraquito) fazemos nós diariamente com os rostos com que nos cruzamos, rostos que nos dão milhares de informações.

O livro de onde tirei o título do post analisa justamente este tipo de coisas. E põe, preto no branco, verdades que nos custam aceitar, ao nosso lado racional e analítico.

Diz, por exemplo, que o 1º dificilmente sairá da cepa torta. Ainda menino, verá os professores porem-lhe uma etiqueta de estúpido na testa. Pouco rápido, nada brilhante, nunca irá a lado nenhum, pensarão eles. Provavelmente os pais também não contrariarão essas ideias pré concebidas. As suas próprias expectativas decairão ao longo dos anos, em que acaba por se tornar naquilo que os outros reflectem dele – um bruto, um simplório.

Já o 2º terá outras possibilidades. Pelo menos não tem n preconceitos associados à sua imagem, o que já é um bom avanço. O mundo gosta dele e ele pode tornar-se alguém, ter responsabilidades, porque não importantes, tudo depende de outras circunstâncias.

Forma das sobrancelhas, feições mais ou menos “agressivas” ou “moles”, corpo mais ou menos tónico, altura, gordura, tudo isso expande ou retrai o mundo de possibilidades que se nos abre. Supostamente um queixo mais anguloso nos homens faz a diferença numa carreira militar, e as pessoas altas têm maior possibilidade de chegar a cargos de alta chefia, passo a redundância.

Esta é a (triste) realidade. Os (muitos) preconceitos estão aí, associados à imagem (e à genética). Se este é um dado adquirido, o que fazer para o combater? Em adultos, podemos alterar a ordem das coisas, com esforço e inteligência, mas em período de crescimento  precisamos de modelos fortes e combativos, que nos dêem uma boa herança, como já referi em tempos.

Aqui voltarei.

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