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popular

Popular.  Eis uma ideia que me tem assaltado muito nos últimos tempos.
Devo dizer que deve ser por causa do mês, dos santos populares e afins. Ando muito voltada para a coisa.

Depois dou por mim a pensar que não sou só eu. Que os Deolinda e a Casa Portuguesa estão no mesmo comprimento de onda.

Somos (os Deolinda e eu, pelo menos) filhos do pós 25 de Abril.
Temos histórias de familiares presos em frente à sé de Lisboa, inclusive com dentes arrancados a frio. Temos memória da Spur Cola em tempos em que a Coca Cola ainda era uma desconhecida. Somos do tempo da tv a preto e branco e com fecho da emissão. Dos desenhos animados de países de Leste. Dos primeiros anúncios do creme Johnsons, o supra sumo da batata no que tocava a cosméticos.

Somos a geração que ouviu algumas/muitas histórias mas que sobretudo viveu todas as gigantes transformações deste país na última trintena. Tempo suficiente para se encontrar uma distância confortável do antigo regime que nos permite procurar e abraçar de novo certas tradições. É como se finalmente começássemos a fazer as pazes connosco e com a nossa cultura. E déssemos início a uma corrida contra o tempo para resgatar algumas artes e técnicas, antes que se percam na bruma dos tempos.

Dizia a Inês que a alternância entre modernidade (e sede do mundo) e a tradição é cíclica, e que os ciclos vão coincidindo com períodos de crise. Neste início da 2ª década do século XXI as  crises de valores e identidade são palpáveis (assim como a económica), daí um regresso às raízes, ou âncoras, que nos ajudam a perceber o que somos, de onde vimos e, eventualmente, para onde vamos.

Os três F’s estão aí outra vez em força:  Fado, Fátima, Futebol, e quero acreditar que estão de uma outra forma, mais distanciada e adulta, sem ficarmos embrutecidos pelos mesmos. Que fazem parte de nós assim como tantas outras coisas escritas com outras letras.

Oxalá este povo consiga pacificar-se com a tradição e usá-la para seguir em frente, sem vergonhas nem ares de coitadinhos. E cresça e evolua sem perder de vista o que foi e continua a ser.

One thought on “popular

  1. sim de certa forma estamos todos a fazer as pazes com o passado, que é o nosso, em especial quem tem mais de 40/50 anos! é um facto. foram tempos dificeis, não é agora sejam fáceis mas temos LIBERDADE.

    só há verdadeira liberdade qd há liberdade economica , e neste momento estamos em grandes dificuldades, mas mesmo assim compensa podemos falar!!! não temos que olhar por cima do ombro “vê lá se alguem te ouve”

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