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35 – Balanço

Vou soprar 35 velas. Ou muito me engano, ou quando chegar às 40 não vou sentir que estou a passar uma charneira tão marcante como esta.

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Katie Daisy

Há semanas que penso, e digo, que tenho 35. Há uma linha invisível que separa os 30 – até e depois dos 35. Porquê?

Porque é a metade de uma vida média (na Europa, início do século XXI).
Porque a partir dos 35 começa o declínio do corpo, da fertilidade.
Porque não é um número redondo, mas sim anguloso – dois ímpares juntos – no topo que vai começar a descer.
Porque é o final de um ciclo de 7 anos e o começo de um outro.
Porque é o final de uma “juventude” alargada e a total assumpção da idade adulta.

As minhas mais recentes leituras vão todas na mesma direcção: reavaliar a nossa vida e as nossas escolhas diárias. Em certa medida ando a ler o mesmo livro, mas com abordagens distintas. Depois do Notes From a Blue Bike, vez agora do Hands Free Mama, em que a autora nos convida a viver uma vida menos distraída e mais focalizada no que realmente importa.
Pelo meio leio um post de um outro balanço, dos 40 anos, em jeito de carta para os filhos. O autor é o meu ‘guru’ da educação de filhos, o dr. Justin Coulson, autor do site Happy Families.

Tanta leitura direccionada combinada com o meu aniversário só podia dar asneira nisto – um balanço da minha vida.

Faço agora um parêntesis

(Perguntaram-me como era ter um 2º filho, como podia descrever a coisa. A quente respondi 14 meses sem dormir bem, sem contar com o final da gravidez.
Fiquei a pensar no assunto.
Se ter um 1º filho altera TUDO, um 2º nesse aspecto é bem mais fácil, já sabemos ao que vamos. Se à 1ª todos caem, à 2ª só cai quem quer, para inúmeras coisas. Estamos francamente mais confiantes e assumimos muito melhor as nossas escolhas, sejam elas quais forem. 
O coração é, efectivamente, elástico e amamos tão assolapadamente o 2º como o 1º. Até o beijamos mais, bochechas de bebé é assim.
Onde é mais exigente, para além do ponto de vista económico, é, na minha perspectiva, na logística. Mais roupa e loiça para lavar, mais comida para fazer, muuuuito mais chão e loiças da casa de banho para limpar. Ah, e muito menos tempo para o fazer. E paciência. Sobretudo paciência.
A menos que se tenha alguém que trate da casa por nós, a pressão aumenta nesse aspecto. Ter alguém que fique com as crianças enquanto limpamos/tratamos da casa é outra hipótese, mas quem vai deixar a criança mais hora e meia na creche para se aspirar sem interrupções?

Apoio é essencial. Quer seja familiar, quer seja pago. Pela nossa sanidade mental ou disponibilidade emocional, que é apenas a coisa mais importante de todas para a educação dos nossos filhos.)

Fim do parêntesis

Este aparte diz muito do meu balanço – sinto-me sempre à beira de resvalar. Às vezes resvalo. Sou apenas humana, apesar de fazer esforços, conscientes, deliberados e regulares para domesticar o meu humor. Mas a tal disponibilidade emocional salta pela janela e só me retenho de a apanhar porque estou longe desse extremo. E ralho e fico de mau humor e sou brusca e bruta a fazer e a falar. E arrependo-me. E peço desculpa quando acalmo.

Às vezes o cansaço é tal que nem chego a perceber como passo de verde a ultra-violeta tão depressa. Às vezes gostava de libertar a tensão de outra forma – chorar, por exemplo. Mas não consigo, não faz o meu género, mais expansivo. Fazer desporto era uma boa ideia, mas tem de ficar para outras núpcias, agora está fora de questão (se é que alguma vez estará).

Regresso ao artigo do balanço dos 40 anos. O que mais me tocou foi

“O peso da disciplina é bem mais leve do que o peso do arrependimento”.

Que frase carregadinha de peso, passo a redundância.
E que polivalente.

Aplica-se à disciplina de comer de forma saudável – para um dia mais tarde não sofrermos com doenças cardiovasculares, por ex.; à disciplina de domar a nossa reactividade emocional – para não extravasar por dá cá aquela palha; à disciplina de organização do nosso tempo – para que o possamos usar intencionalmente, de forma a libertar tempo para o que realmente importa; à disciplina de acordar e deitar a horas regulares – para não ficarmos cansados desnecessariamente.

O balanço dos meus 35 anos é mais do que positivo.
Caramba, é mesmo espectacular.
Só é pena estar demasiado cansada stressada para o ver.

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Katie Daisy

Com tanta leitura boa e útil, cheia de conselhos bons e bem intencionados, só não mudo a minha perspectiva se não quiser.
Com disciplina e disponibilidade emocional, não vai haver dia que me escape.

Venham outros 35!

One thought on “35 – Balanço

  1. Gostei muito deste balanço,quer pelo conteúdo,quer pela forma como está redigido.Embora pessoal,faz refletir de forma generalizada

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